quarta-feira, 22 de dezembro de 2010


O Vancouver Sun tem uma nova matéria com o diretor de Eclipse, David Slade, pelo lançamento do DVD, e nós s traduzimos para vocês.

VANCOUVER – Quando David Slade apareceu na cultura pop em meio ao seu grande sucesso no Sundance, com “Meninamá.com”, exibindo uma vítima em potencial representada por Ellen Page, a última coisa que você esperaria dele era sua convicção profunda sobre o conceito de amor romântico.

Uma história que se centrava na ameaça de abuso sexual envolvendo uma menor, “Meninamá.com” parecia tanto um testamento dos elementos básicos do animal humano que o diretor assumiu o formato de um Neil Labute da nova geração — um criador capaz de equilibrar o absoluto desprezo pela espécie humana com um senso de humor árido.

É um esforço arriscado, mas que Slade enfrentou com um truque de mão dramaticamente elegante.

Slade alcançou o mesmo pacote de truques quando assumiu “A Saga Crepúsculo: Eclipse”, que chega em DVD e Blu-Ray no sábado (EUA).
A história de uma jovem chamada Bella Swan (Kristen Stewart) que se apaixona por um vampiro chamado Edward Cullen (Robert Pattinson), apenas para ser perseguida por um lobisomem apaixonado chamado Jacob (Taylor Lautner). A saga toda lida com uma jovem em risco.

Nesse caso, Stewart está em risco de perder sua alma moral. Em “Meninamá.com”, Page corria o risco de perder uma parte similar de si mesma — nós supeitamos — sua vida.

“Meninamá.com foi completamente diferente em certas maneiras, porque era um drama contido, com duas pessoas, com Ellen Page destacando-se com uma performance brilhante,” diz Slade.

“Eclipse foi bastante amplo…mas ainda é um drama baseado em personagens. Foi o que eu realmente gostei no filme,” ele diz. “Também acho que é um filme muito mais adulto do que os dois anteriores, porque as personagens estão se tornando mais maduras. Tem muita coisa legal para se explorar, e porque tratamos o filme como um drama, a transformação (de caráter) acontece.”

A substância sempre foi sangrenta e violenta, mas Slade diz que a pragmática de todo o processo foi qualquer coisa, menos fácil. Ele se sente exausto mesmo ao pensar na experiência.

“Foi uma filmagem de 50 dias, com vários dias de 16 horas”, ele diz.

Para aumentar ainda mais o desafio, o elenco estava se perdendo em seu próprio universo “Crepúsculo”. Todos os atores têm de se render aos seus papéis e habitar seus personagens até certo nível durante a produção, então Slade ficou satisfeito que seu elenco estava levando o projeto a sério e de maneira sincera.

Todos estavam comprometidos, ele diz.

“Kristen, em particular, era bastante rígida consigo mesma.”

Slade diz que porque Stewart não se desligou da sua própria vida e de sua pessoa para interpretar Bella Swan, ela achou bastante exigente encontrar a verdade de Bella.

“Ela dizia, ‘Eu não sei quem é a Bella para mim.’ De várias maneiras, eu acho que ela sentiu que a Bella era sua antítese, o que representou um desafio muito grande para a Kristen…Ela se punia sobre isso, porque ela queria estar lá. Ela nunca queria deixar uma cena inacabada.”

“Houve lágrimas,” disse Slade.

“Mas você segue em frente e continua…Mesmo em ensaios com o Rob, acontecia uma confusão semelhante.”

Atores são pessoas. Eles ficam inseguros, e qualquer ser humano enfrentando o peso da expectativa que cerca “Crepúsculo” teria que hesitar, se não um pouco. Para dispersar o máximo possível do drama obsessivo, Slade diz que aprendeu o valor da preparação.

Ele diz que ensaia com seus atores o máximo possível, para que eles fiquem confortáveis com o material e seus personagens, e ele pode focar-se nos detalhes da performance sem a presença intrusiva de uma câmera.

“Você sempre procura a verdade emocional numa atuação,” ele diz. E com “Crepúsculo”, essa verdade emocional é nada menos do que o intenso amor romântico — que pesa muito no coração de Slade, muito embora, aos 41 anos, ele seja membro de uma geração mais cínica.

“Eu realmente acredito no amor romântico. Como você não poderia, se tem a sorte de encontrá-lo? Parece que vivemos numa cultura muito mais sarcástica e cínica, e eu não gosto de usar essa palavra. Exista talvez por aí a ideia de que o amor romântico não é legal. Mas o amor verdadeiro é uma coisa maravilhosa.”

Slade diz que o amor é o que segura a narrativa de “Crepúsculo”, mas depois de ler os livros de Stephenie Meyer, ele também sente que eles falam sobre muito mais assuntos do que apenas vampiros e amor adolescente.

“É uma história de amor que lida com problemas do último século,” ele diz. “E eu peguei o melhor livro. Tivemos a batalha, a ação…a coisa toda.”

Slade diz que está saindo num ponto alto da história, e essa é uma das outras grandes lições que ele aprendeu durante o caminho. A preparação vai salvar o seu bacon, mas o tempo é que o faz gostoso.

Ele adoraria compartilhar o que fará a seguir, Slade diz, mas não pode. No mínimo, podemos ficar certos de que será interessante, bem preparado e explorado com um coração aberto e uma carótida à prova de vampiros.

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